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Histórias com cores e vício inverso

Exposição Colectiva - Marcos P´fuka, Elias Manjate e Amanhiça

 07.07.21 - 31.07.21 

Amanhiça molda a dureza e a severidade do ferro e dá-lhe sensibilidade e elegância a ponto de, inclusive, convencer às suas criaturas a ensaiarem o voo necessário nestes tempos de cólera, como quem lembra o amor de García Márquez.
Mas se de facto os sonhos permanecem rentes ao chão, seja por causa desta Pandemia que é preciso não esquecer, seja por causa das balas de Palma que desconhecem o sentido da culatra…, ao menos as suas aves ainda se passeiam livres pelos cantos de uma casa chamada Terra, como diria o próprio Mia, e como se ao homem tivessem uma divina mensagem a transmitir, sabidos que são os seus conluios com o divino.
Por isso as suas aves são também protetoras e sábias. É, portanto, todo um mundo elegante e sensível o de Amanhiça, seja pela presença das aves, seja pela imitação da vida, na mulher, ou ainda pela casa, o lugar do amor. A unir estas imagens, existem as formas circulares, algo que lembra também o sentido circular da vida em cada gesto fundido, como que a recordar-nos que é preciso não esquecer a esperança na regeneração.
Há até nessa aparente dureza um passo de dança em cada objecto, a dança da própria vida. Façamos então um compasso com Elias Manjate.
O traço de Elias Manjate é azul como a dança do mar, castanho como o peso da terra, verde como o futuro, mas também pode ser incolor como a música.
O que me interessa nele é o movimento e a transposição de sentidos ou o diálogo entre as imagens fundidas: na verdade, é como se não houvesse nenhuma cor e houvessem todas juntas irmanadas.
Este sentido da transposição das cores devolve-nos um mundo sincrético, cria, por assim dizer, um mundo mestiço e mítico, do antes do nascer do sol.
Será a luz o motivo de sermos diferentes? É, no entanto, um mundo vivo e vibrante, porque de muita energia própria.
E esse mesmo mundo ganha forma e chama-se Mulher, e com ela nascem a esperança e as outras cores da vida. E porque falamos em diálogo, é preciso dizer que, tal como acontece em Amanhiça, Manjate volta a recordar-nos que o ser humano tem muito a aprender com as aves, da sua inteligência, sabedoria e protecção.
Mas este projecto de aprendizagem exige a imolação dos sentidos, pois o cabrito não pode continuar amarrado à terra, porque a terra é de todos.
Afinal podemos ler aqui a mesma regeneração da vida ou a instalação da música que se dança nos ferros de Amanhiça. Continuemos então a dançar e, finalmente, com Marcos P´fuka. Marcos P´fuka acende luzes no fundo do túnel, espanta medos e nos devolve o calor sensível ao olhar.
O seu mundo cheio de sóis e calores reconstrói-se em nós através da retina da ave, como acontece com Amanhiça e Manjate. É um universo multicolor e tenso de feitiço, porque afinal a ave pode transfigurar-se em mulher e vício-inverso. Por isso a metamorfose é o seu signo, e o resultado pode ser um monstro encantado.
Mas este signo não é maior que o sentido da visão, que se insinua num amarelo estrutural, evocação da saudade do amor e da esperança, evocação de mundos possíveis, afinal esses seres fantásticos vivem no olhar de quem vê e assim sobrevivem desde os tempos ancestrais, pois «Essa peçonhenta criatura procura pessoas felizes para as morder e as envenenar, sem que elas se apercebam nunca.»
E assim não está escrito no livro do Géneses: não foi a mulher que mordeu o mundo para a sua infelicidade? Mas também não foi a mulher que nos ensinou a arte de olhar (a maçã?) para aprendermos as cores que nos libertam das trevas? Não é essa ave-mulher ou mulher-ave que desde o nascer da terra adeja sobre os sonhos do mundo?
Lucílio Manjate 

Biografias 

Amanhiça nasceu a 6 de Maio de 1961 em Maputo. Em 1975, estabelece os primeiros contactos com o mundo das artes através de alguns artistas paisagistas.

 

Na Escola Preparatória do Ensino Secundário da Malhangalalene, aos 11 e 12 anos participou no círculo de interesse de desenho e pintura. Com a independência nacional integra o Centro Cultural da Juventude onde dinamizou a pintura e orna[1]mentação cujo ponto mais alto foi a participação na pintura do mural da praça dos heróis de Maputo sob orientação do artista João Craveirinha.

Faz artes plásticas, em particular desenho e pintura, há mais de 30 anos. Usa a arte para fazer análise e expressar ideias sobre o desenvolvimento sócio-político no meio em que vive

 

Em 1981, em Nampula, norte de Moçambique, conhece Titos Mucavele que lhe dá apoio material e moral, criando juntos um grupo de interesse em artes plásticas. Em 1985, em Nampula, pinta, com o Elias Manjate um mural alusivo ao 250 aniversario do início da Luta Armada de Libertação Nacional.

Em 1986, já em Maputo, participa em estágios artísticos no Núcleo de Arte.

Dedica-se também à escultura metálica tendo como recurso material os desperdícios oficinais da escola onde é professor.

Tem a sua obra em colecções individuais e públicas no país e no estrangeiro.

 

Exposições Principais exposições colectivas

1984 - “20 Anos do Início da Luta de Libertação Nacional”, Museu Nacional de Etnografia

(Nampula).

1985 - “10 Anos da Independência de Moçambique”, Museu Nacional de Etnografia (Nampu[1]la).

1988 - 70 Aniversário da ONP, Núcleo de Arte, Maputo.

1989 - 1990 - Horizonte Arte Difusão, Maputo.

1989 - “Simbiose”, Associação Moçambicana de Fotografia, Maputo.

1990 - Artistas em apoio ao V Congresso do Partido Frelimo, Núcleo de Arte, Maputo.

1990 - “Grupo dos Cinco” CEB, Maputo.

1991 - “Workshop” CEB, Maputo.

1991 - “Grupo dos Cinco e Um Convidado”, Associação Moçambicana de Fotografia, Maputo.

1991 - III Exposição do BFE, Maputo.

1991 - “Artistas e Jornalistas Juntos”, ONJ (Organização Nacional de Jornalistas), Maputo.

1991 - As Rotas do Ferro em África, ONJ, Maputo.

1992 - Casa da companhia, Porto, Portugal.

1992 - 30 Anos da Universidade em Moçambique, CEB, Maputo.

1992 - “Novíssimos”, Galeria Afritique, Maputo.

1993 - II Bienal TDM, Maputo.

1993 - 1994 - 1995 - Exposição Anual do Museu Nacional de Arte, Maputo.

1993 - 10 + 5 em Apoio à CNC – Círculo Galeria de Arte, Maputo.

1993 - Associação de Esposas de Missões Diplomáticas, CEB.

1995 - III Bienal TDM, Maputo.

1998 - “Reencontro pela criança” Associação Xiphefu, Inhambane, 1998

1999 - Salão do Conselho Municipal da cidade de Xai-Xai, Gaza.

1999 - Galeria de Arte, Nampula.

1999 - Londres (Inglaterra) e Milão (Itália).

2000 - Solidariedade, Museu Nacional de Arte, Maputo.

2001 - Itália, Palermo.

2004 - Museu da revolução, Maputo.

2006 - Workshop com “Meninos de Rua”, CEB, Maputo.

2010 - Gerações, Museu Nacional de Arte, Maputo.

2019 - Traços e Cores Afinados com o tempo, Auditório do Edifício-Sede do BCI, Maputo.

Exposição individual

1994 - “Bailado vespertino”, Círculo Galeria de Arte, Maputo.

2014 - Mannheime, Alemanha.

 

Reconhecimento

2o Prémio do concurso Novos talentos (Horizonte Arte Difusão) 1990.

Elias Manjate, nasceu a 12 de Novembro de 1960 na cidade de Maputo. Aos 16 anos de idade ingressou na Escola Industrial “1º de Maio”, para cursar Mecânica Geral e, dois anos mais tarde (1978), conviveu com Titos Mucavele, então colega de escola e de turma, que se impressionou pelas capas dos seus cadernos, virados ao avesso, com desenhos feitos à caneta esferográfica e então ele se ofereceu para ser seu mentor na pintura pois ele já se iniciara nesta arte de pintura.

Em 1980 foi frequentar o Instituto Pedagógico Industrial (IPI), na Província de Nampula, ainda com o Titos Mucavele na mesma turma, oportunidade que foi aproveitada para aperfeiçoar a arte de pintar.

Em 1981 participou na sua 1ª exposição colectiva, em Nampula, abrindo-se assim o caminho para outras colectivas naquela cidade e depois nas cidades de Maputo, Inhambane e Xai-Xai.

No seu percurso conta ainda com uma Exposição Individual, realizada no Museu Etnográfico de Nampula, em 1987. Conta também com um mural pintado em 1985, juntamente com o artista Aurélio Manhiça, também na cidade de Nampula.

Ao longo da sua carreira artística, na procura de uma identidade própria, assinou obras como “Elias”, “Elias Manjate”, “Emael”, “emanjate” e, finalmente, “eliasmanjate”.

Tem sua obra em colecções privadas e públicas, no país e no estrangeiro. Em 1994, esteve no Centro Internacional de Formação da OIT, em Turim – Itália, tendo aproveitado a ocasião para pintar uma obra para o acervo desta instituição.

 

Participação em Exposições

Exposição Individual

Museu Etnográfico de Nampula, 1987

Exposições Colectivas

“10 Aniversário do IPI”, Instituto Pedagógico Industrial (Nampula), 1981.

“10 Encontro de Artistas”, Galeria de Arte (Nampula),1981.

“20 Anos do Início da Luta de Libertação Nacional”, Museu Nacional de Etnografia (Nampula), 1984.

“10 Anos da Independência de Moçambique”, Museu Nacional de Etnografia (Nampula), 1985.

“70 Aniversário da ONP”, Núcleo de Arte, Maputo, 1988.

Horizonte Arte Difusão, Maputo, 1989.

“Grupo dos Cinco”, CEB, Maputo, 1990.

“Workshop” CEB, Maputo, 1991.

“Grupo dos Cinco e Um Convidado”, Associação Moçambicana de Fotografia, Maputo, 1991.

“Novíssimos”, Galeria Afritique, Maputo, 1992.

Exposição Anual do Museu Nacional de Arte, Maputo, 1993.

“Reencontro pela Criança”, Associação Xiphefu, Inhambane, 1998.

Salão do Conselho Municipal da cidade de Xai-Xai, Gaza, 1999.

“Gerações”, Museu Nacional de Arte, Maputo, 2010.

MARCOS P’FÚKA é nome artístico de Artur Valente Matavele, natural de Maputo. Vem duma família em que a arte sempre esteve presente, desde a moda, o cinema e as próprias artes plásticas. Tem grande influência dos irmãos mais velhos.

 

Na Escola Preparatória do Ensino Secundário da Malhangalalene, aos 11 e 12 anos participou no círculo de interesse de desenho e pintura. Com a independência nacional integra o Centro Cultural da Juventude onde dinamizou a pintura e orna[1]mentação cujo ponto mais alto foi a participação na pintura do mural da praça dos heróis de Maputo sob orientação do artista João Craveirinha.

Faz artes plásticas, em particular desenho e pintura, há mais de 30 anos. Usa a arte para fazer análise e expressar ideias sobre o desenvolvimento sócio-político no meio em que vive

  

EXPOSIÇÕES COLECTIVAS

2019 – Traços e Cores Temperadas com o tempo – BCI Maputo

2000 – Várias na cidade de Nampula

1995 – Bienal TDM

1993 – 10+5 em apoio a CNC – Circulo Galeria de Arte

1993 – Anual Museu Nacional de Artes em Maputo

1993- Bienal TDM, Maputo

1992 – 30 anos da Universidade em Moçambique, Centro de Estudos Brasileiros

1992 – Bienal Museu Nacional de Arte II, 1992

1992 – NOVÌSSIMOS, Galeria AFRITIQUE, Maputo

1991- Grupo dos cinco –Associação Moçambicana de Fotografia

1991 – III exposição Banco de Fomento e Exterior

1991- Exposição de apoio a criança desamparada, Embaixada dos EUA em Maputo

1990 – 1ª Bienal TDM

1990 – Artistas em apoio ao VI congresso do partido Frelimo

1990 – Festival Frelimo, FACIM

1990 – Grupo dos cinco – Centro de Estudos Brasileiros

1989 – Horizonte Arte Difusão: 1º Concurso de novos talentos

1988 – Aniversário da ONP em Maputo~

1988 – M’tapa e P’fúka

1979-1981-Várias no Instituto Agrário do Chimoio

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

2019 - MARCAS QUE NÃO DEVEM MORRER, Fundação Fernando Leite Couto

1993-DISSON NCIAS, Casa da Cultura do Alto Maé, Maputo

1989- “DUMBA NENGUE, um voo de nwahulwana” Banco de Moçambique, Maputo

 

Reconhecimento

Segundo de Pintura Bienal TDM 1999

Primeiro Prémio de Desenho Bienal TDM 1995

Menção Honrosa no 1º concurso de novos talentos 1989

Menção Honrosa na 2ª Bienal do Museu Nacional de Artes 1992